Unidade Força Feminina recebe Moção de Aplausos da Assembleia Legislativa da Bahia

A Moção de Aplausos, à Unidade Força Feminina, confirma o reconhecimento da sociedade baiana pelo trabalho desenvolvido pela instituição.
 
Criada em Salvador/BA, devido ao anseio da comunidade e da sociedade em geral, quanto à realidade da prostituição local, a Unidade Oblata Força Feminina, que no próximo mês de novembro completa 12 anos de atividades na capital baiana, atuando no apoio incisivo e impulsionando o desenvolvimento humano e social das mulheres em situação de prostituição, foi consagrada com a Moção de Aplausos, promovida pela Assembleia Legislativa da Bahia, de autoria da Deputada Estadual, Luiza Maia.

Com esta Moção de Aplausos, a Unidade Força Feminina que é parte integrante da Rede Pastoral Oblata, confirma o reconhecimento da sociedade baiana pelo trabalho desenvolvido pela instituição ao longo desses anos. E como a própria Moção diz “um exemplo de luta pela construção de uma sociedade justa e igualitária que todos sonhamos”.

O Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor e toda Rede Oblata, sentem-se agradecidas por esta honraria concedida à Unidade Força Feminina, que seguindo o exemplo de Jesus Redentor, bem como, o empenho contínuo de Padre Serra e Madre Antonia, prosseguem na missão de contribuir e acreditar na força da mulher excluída.

A referida moção foi aprovada no dia 05 de junho de 2012, com o nº 14.280/2012, e entregue no último dia 15 de outubro.

Acompanhe abaixo, na íntegra, a Moção de Aplausos.

 
ESTADO DA BAHIA

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

DEPUTADA ESTADUAL LUIZA MAIA

 
MOÇÃO DE APLAUSOS Nº 14.280/2012

 A Assembleia Legislativa do Estado da Bahia faz inserir na ata de seus trabalhos de hoje a presente Moção de Aplausos ao Projeto Força Feminina pela promoção integral das mulheres em situação de prostituição.

 O Projeto Força Feminina é uma instituição social, de iniciativa do Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor que tem por missão colaborar no processo de conscientização e inserção cidadã, comprometendo-se com a humanização e a participação das mulheres na sociedade.

 Anualmente o Projeto Força Feminina atende cerca de 250 mulheres que, em sua maioria, apresenta baixo grau de escolaridade. Segundo pesquisa realizada em 2007, 80% das mulheres atendidas são negras e cerca de 70% possuem o ensino fundamental incompleto, o que por sua vez, inviabiliza maiores possibilidades de inclusão social. São mulheres provindas de famílias pobres, marcadas por conflitos familiares, pobreza e fome, 58% delas sustentam suas casas e tem infelizmente na prostituição a única fonte de renda familiar.
 
Diante do exposto, considero relevante a atuação do Projeto Força Feminina, que tem sido uma referência na luta pela construção de uma sociedade justa e igualitária que todos sonhamos.
 
Dê-se conhecimento desta Moção ao Instituto das Irmãs oblatas do Santíssimo Redentor e a Coordenadora do Projeto Força Feminina, Fernanda Priscila Alves da Silva.

 
Sala das Sessões, 05 de junho de 2012.

 
Luiza Maia

Deputada Estadual
 

Outubro Rosa – Mês de Formação sobre o câncer de mama


Juntando-se a luta de prevenção e luta contra o câncer de mama, a unidade Força Feminina, recebeu em sua sede uma das formações realizadas pela Instituições da Campanha. Entre elas o Posto de Saúde São Francisco, da Faculdade de Medicina da Bahia e o Posto de Saúde do Pelourinho.

Representantes das Instituições, como, enfermeiras, nutricionistas e gerentes compareceram na formação, além de outros convidados, como a Aliança de Redução de Dados, também ligada a Faculdade de Medicina e estudantes de enfermagem da Faculdade Unime.

Sobre a mediação do Doutor Leandro, médico do Posto São Francisco e professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia), conceitos e dúvidas foram tiradas a respeito das DST s, Câncer de Útero e o Câncer de Mama.

            Para as mulheres atendidas pela Unidade, foi um momento de esclarecimento de dúvidas e desmistificação de mitos a respeito da prática sexual e seus perigos, como o uso incorreto de dois preservativos e a abertura do canal vaginal que não está ligada a prática continua de relações sexuais.

            Além de ter sido um espaço de formação, foi um momento de amplificação e fortalecimento das parcerias, instrumento este, vital para o acompanhamento das mulheres e atendimento de suas demandas sociais.
 

Luta contra o câncer de mama


Código Florestal: o que restou?


Roberto Malvezzi, Gogó

Equipe CPP/CPT do São Francisco. Músico. Filósofo e Teólogo
Adital

O Código Florestal brasileiro nasceu em 1934. Ali está seu nervo central. Mas, já nasceu pela preocupação de tantos naturalistas que, já naquela época, sabiam perfeitamente da interface das florestas com ciclo das águas, inclusive de sua agressividade a terrenos e territórios desprovidos de vegetação, provocando enchentes e erosões. Era também a manifestação do cuidado com as florestas, já em processo de dizimação.

Mas, quando os militares chegaram ao poder, eles fizeram uma nova e profunda modificação no Código (LEI Nº4.771, DE 15 DE SETEMBRO DE 1965), estabelecendo uma série de referenciais agora derrubados pela Ditadura Ruralista. Foi a lei que demarcou a proteção das matas ciliares, nascentes, encostas, etc.

Essa lei não veio por acaso. Os militares queriam implantar a ferro e fogo o capitalismo no campo, através de grandes empresas, entrando pela Amazônia –depois o Cerrado– e sabiam que alguma proteção aos mananciais e às florestas tinha que ser implementada.

Então, o capital devorou o Cerrado e as franjas da Amazônia. Pior, entrou pelas áreas de proteção que garantem a água e a biodiversidade necessárias à natureza e ao povo brasileiro para plantar cana, soja e pôr as patas do gado. Com o avanço da consciência ambiental veio a cobrança dos crimes ambientais. Então, para não pagar, os ruralistas mudaram a lei.

O que restou dessa batalha? Não muito, se formos olhar em termos efetivos de preservação de nascentes, rios, água de qualidade, biodiversidade para as gerações futuras. O grande pulo do gato foi estabelecer uma nova gradação, particularmente nos rios maiores, onde a necessidade proteção caiu de 500 metros para rios com mais de 600 metros de largura, para apenas 100 metros. Vejam com um exemplo.

O São Francisco tem 2700 km de comprimento. Hoje não tem mais que 5% de matas ciliares. Se fosse para ser recomposto em sua totalidade, com uma extensão de 500 metros em cada margem, seria necessária a recomposição de 2700 km2de matas ciliares. Com a nova lei cai em 80% essa exigência, ficando a exigência legal de apenas 540 km2. O problema não é somente a vegetação: aí estão chácaras, mansões, clubes, tudo que faz a vida da burguesia. Aí cada um pode tirar as suas conclusões.

Os tais vetos de Dilma, no apagar das luzes, tem sua importância para os rios menores, também para os pequenos agricultores, mas está longe de sustentar uma visão científica e moderna do que seja riqueza natural e sua importância para um povo. Depois de torturarem o Código, o veto funciona como uma espécie de salmora. Aquele sorriso amarelo de quem levou uma goleada de 10 x 1, mas ficou feliz por fazer um gol de honra ao final do jogo.

Para evitar novamente falsas interpretações, reafirmo que estou fazendo a comparação com o regime militar no que toca ao Código Florestal. Então, repito a frase que causou polêmica no texto anterior "Código Florestal: derrota humilhante”: "nem no Regime Militar sofremos uma derrota tão humilhante”.

Disponível em: www.adital.com.br

Valorizando os espaços de criatividade e interação, as oficinas da Força Feminina recebem semanalmente as mulheres atendidas.

A Oficina Roda Viva proporcionou este mês de outubro, a confecção de pulseiras de Shambala ou Macramê. A técnica consiste na produção de pulseiras com a utilização de cordões e miçangas, através de trançados. A shambala tem um grande significado, ela é inspirada nos terços budistas e visa afastar as energias negativas e representam a união dos indivíduos com as energias positivas.

E foi nesse clima que as mulheres expressaram esse sentimento:

 
“Fazendo com outra pessoa, agilizamos o serviço.”

“Para mim, esse espaço significa prosperidade, pois estou produzindo algo e obtenho resultados aqui e fora”.

As Oficinas de Pintura, em seu terceiro mês trabalhou o sentido da base da pintura, que visa garantir a segurança na aplicação das cores no desenho. Esse mesmo sentido foi trabalhado com as mulheres da oficina, ou seja, é preciso fincar o pé e fortalecer as bases utilizando as experiências de vida nesse processo de resignificação em suas vidas.

Leonira Camata e Valtemi Barreto, responsáveis pela oficina apontam o sentido desse trabalho:

O trabalho procura despertar a autoestima, o valor da pessoa, e é através das cores que elas expressam seus sentimentos.” Leonira Camata.

“Essa experiência tem me proporcionado além de novos aprendizados, perceber que as mulheres nesse espaço vão ganhando segurança e reconhecendo suas potencialidades, além do desejo de mudança.” Valtemi Barreto.
 

Projeto Força Feminina participa de Seminário sobre Tráfico de Pessoas

Com o tema “Conquistas e desafios no enfrentamento ao Tráfico de Pessoas” a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia e Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Bahia realizou Seminário, dia 10 de outubro, no auditório do Ministério Público, em Salvador/BA.
O evento contou com temas instigantes, tais como: As modalidades de Tráfico - Exploração Sexual de mulheres, exploração sexual de crianças e adolescentes, de exploração sexual de transsexuais, de trabalho análogo a escravo, de remoção de órgãos. 

(Dalila Figueiredo)

O espaço possibilitou tempos de inquietudes e questionamentos a cerca da violação de Direitos, assim como suscitou movimentos de entusiasmo e motivação para continuar lutando por esta causa. Falas como a de Dalila Figueiredo, Presidente da Associação Brasileira de Defesa da Mulher da Infância e da juventude - Asbrad (organização não-governamental),  provocaram no sentido de afirmar a necessidade de sensibilidade para esta realidade assim como de pessoas comprometidas para assumir este trabalho.

Os temas: “Direitos humanos e legislação sobre tráfico de pessoas”, “O Tráfico de pessoas e o seu enfrentamento em alguns Estados do Brasil”, “Conquistas e desafios no enfrentamento ao Tráfico de pessoas” também foram temas do debate.

TRÁFICO DE PESSOAS É CRIME.
FIQUE ATENTO. DENUNCIE!
Ligue 180

Ministra Eleonora aponta relação entre violência e HIV/aids em lançamento da campanha “Mulheres e Direitos”


Segunda fase da campanha apresenta depoimentos de vítimas de violência domésticas portadoras de HIV/Aids, em filmes inéditos, traduzidos para o Português, Inglês, Espanhol e, pela primeira vez, em Tikuna, idioma de 30 mil indígenas brasileiros.
O lançamento da segunda edição da Campanha Mulheres e Direitos - Violência e HIV contou com a presença da ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), na tarde dessa terça-feira (09/10), na Câmara dos Deputados, em Brasília, DF. A campanha é mais um reforço para as mulheres portadoras de HIV/Aids na luta contra o preconceito.

Tendo como eixo ‘Violência e HIV’, essa edição é resultado de uma parceria entre a UNAIDS - Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/ Aids, a União Europeia, o UNFPA - Fundo de População das Nações Unidas, e a ONU Mulheres - a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres. A campanha conta ainda com o apoio da Presidência da Câmara dos Deputados para o lançamento - que acontece hoje, a partir das 16h30, em Brasília, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados.

A ministra Eleonora Menicucci destacou que a SPM apoia essa campanha. “É nosso compromisso aprofundar os direitos das mulheres em todas as suas dimensões e, com a Lei Maria da Penha, temos uma lei para o enfrentamento e total eliminação de qualquer tipo de violência doméstica”. Acrescentou que é, nesse espaço, onde são transmitidas as DST/Aids às mulheres, “no casamento, onde elas escolheram um homem para ser seu parceiro, onde deveriam ter segurança e proteção”.

Garantia de direitos - Eleonora Menicucci assinalou que as mulheres devem decidir o caminho que desejam para suas vidas, com direitos iguais aos dos homens. A ministra lembrou que as mulheres do campo e das florestas, especialmente as que se encontram em regiões de fronteiras precisam ser ouvidas e de ações e políticas que garantam seus direitos.

A embaixadora Ana Paula Zacarias, chefe da delegação da União Europeia no Brasil, afirmou que "em 2011 demos prioridade à luta contra a violência às mulheres, às crianças e adolescentes, e às populações vulneráveis, entre as quais as populações indígenas”. Salientou que a campanha fosse desenvolvida numa perspectiva de impacto local, chegando às comunidades mais afastadas e carentes, destacando os aspetos transversais da violência contra a mulher, como as doenças sexualmente transmissíveis, notadamente o HIV/AIDS. “Este tipo de ação conjunta e direcionada se torna imprescindível no âmbito do combate à violência de gênero”.

De acordo com o coordenador do UNAIDS no Brasil, Pedro Chequer, de modo similar à violência homófobica, a violência contra a mulher é inaceitável e deve ser coibida. “Além de violar direitos humanos básicos, em ambas as circunstâncias, é fator acrescido de vulnerabilidade à infecção pelo HIV. A existência de norma legal é necessária, mas não suficiente, para que se possa alcançar um ambiente social favorável”. Para Chequer, é imprescindível a mobilização de modo permanente de toda a sociedade com vistas ao alcance desse objetivo.

Desenvolvimento com direitos - O coordenador residente da ONU no Brasil, Jorge Chediek, apontou que o desenvolvimento só é legítimo se estiver acompanhado da expansão de direitos. “Nos associamos a uma iniciativa como esta campanha por que sabemos que a construção de direitos é muito complexa, principalmente quando se trabalha com questões culturais muito arraigadas na sociedade”.

Para ele, apesar de o sistema de proteção da Lei Maria da Penha abranger todo o território brasileiro, o fato de mais de 2,7 milhões de pessoas ligarem para a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180, mostra que a violência doméstica contra a mulher é um problema sério. “A lei é apenas um dos instrumentos para o enfrentamento a esse tipo de violência. Mas a verdadeira solução é a mudança cultural”.

Também participaram da solenidade a embaixadora da Guiné Bissau, Eugênia Saldanha, e as deputadas federais Jandira Fregalli e Elcione Barbalho.

Dados HIV/Aids - Segundo dados do governo federal, estima-se que mais de 630 mil pessoas vivam com HIV/Aids no Brasil. A cada cinco minutos, uma mulher é agredida no país; a cada 2 horas, uma mulher é assassinada. Em 80% dos casos, o agressor é o marido, companheiro ou namorado.

Um estudo realizado pela iniciativa Amazonaids, ONU e governo brasileiro, na área indígena do Alto Solimões e Vale do Javari, examinou mais de 20 mil indígenas. Foi encontrada uma taxa de prevalência de sífilis de 2,3% e de HIV de 0,13%.

Campanha - A ‘Campanha Mulheres e Direitos - Violência e HIV’ tem como objetivo principal contribuir para a conscientização da população brasileira sobre redução da violência contra a mulher, promoção da equidade de gênero e da saúde feminina. Para isso, ela disponibilizará produtos de divulgação como spots de rádio, folder, DVDs, painéis de pano e filmes para TV. O material estará disponível em Português, Inglês, Espanhol e, pela primeira vez, também em Tikuna - idioma indígena falado por mais de 30 mil pessoas no Brasil.

Essa inovação foi adotada em respeito aos direitos de cidadania e os povos indígenas devem ser cada vez mais objeto de respeito cultural e do pleno exercício do direito à informação em seu próprio idioma. Materiais educativos em HIV também vêm sendo elaborados pela Unesco em outros idiomas de povos indígenas do Alto-Solimões.

A campanha é co-financiada pelo Instrumento Europeu para a Promoção da Democracia e os Direitos Humanos (IEDDH), mostrando o compromisso da União Europeia com a promoção e proteção dos direitos humanos.

Filmes - Inspirados em casos reais, foram criados três filmes para divulgação: o mais longo com dois minutos de duração e os outros dois, com 27” e 30”. O filme de dois minutos é mais abrangente, mostrando situações conceituais e depoimentos alternados de mulheres e homens. Nos filmes de menor duração, os enfoques são separados por gênero. Os áudios dos filmes também foram adaptados para veiculação em rádio.

Além do folheto informativo, que será distribuído para todos os estados brasileiros, a campanha Mulheres e Direitos inovou ao criar, imprimir e produzir mil painéis em pano com mensagens em português para divulgação. O projeto conta ainda com uma tiragem de 200 painéis de pano na língua tikuna.

Comunicação Social

Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM

 

Mais de 330 mil donas de casa de baixa renda estão cadastradas na Previdência


Entre outubro de 2011 e setembro de 2012, 336.466 donas de casa de baixa renda se cadastraram na Previdência Social. Dados divulgados pela Secretaria de Políticas de Previdência Social (SPPS) mostram que os estados com maior registro de donas de casa de baixa renda que se tornaram seguradas são Minas Gerais (47.643), São Paulo (46.456), Paraná (28.946), Rio Grande do Sul (22.579) e Bahia (19.240).

O programa que permite aos trabalhadores de famílias de baixa renda que realizam trabalho doméstico na própria residência se filiarem à Previdência Social, pagando uma alíquota reduzida de 5% do salário mínimo (hoje R$ 31,10), foi instituído pela Lei nº 12.470. Esses segurados têm direito a aposentadoria por idade e invalidez, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão.

De acordo com o Ministério da Previdência Social, estima-se que haja no País um público potencial de 5,9 milhões de trabalhadores entre 16 e 64 anos que podem se filiar à Previdência Social como segurados facultativos de baixa renda. A meta do governo é atingir um milhão de cadastros até 2015.

Para se filiar, a família precisa estar inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais e ter renda mensal de até dois salários mínimos. A inscrição pode ser realizada por meio da Central 135.

 

Mais informações: www.previdencia.gov.br

 

Comunicação Social

Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM

Deus e arte

Arte,

Forma Lúdica de ver Deus.

O Sagrado e o segredo.

Arte cessa a Solidão,

Desvela o segredo da alma.

Incorpora o Divino, traço de deus.

Na arte,

O humano se aperfeiçoa

O Divino se revela.

Nos traços da natureza.

No colorido das flores.

No regaço da mãe natureza.

Nas cascatas,

No bailar dos ventos.
A dança.

Tudo é sagrado.

Tudo é arte.

Arte é Deus passeando na corrente sanguínea.

Deus recriando o humano.

Arte.

É Deus fazendo nova todas as coisas.

Na arte o humano se revela.

É você recriando a sua história.

Na arte se descobre a presença de Deus.

Com suas mãos, você tece a rede,

Pinta a natureza.

Mistério insondável de Deus.

 Leonira Camatta

 

O absoluto é Deus, e o coabsoluto são os pobres. Entrevista com Jon Sobrino

IHU - Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos
Adital
Sábado, 29 de setembro de 2012
"Fazer teologia é ajudar, a partir do pensar, para que Deus seja mais real na história e que os pobres – no caso, a fome – deixem de sê-lo", afirmar o teólogo jesuíta.
Já são 40 anos de Teologia da Libertação e permanece a dúvida em relação às razões pelas quais ela é tão criticada, perseguida, difamada pelos poderes do mundo, inclusive pela hierarquia da Igreja. Pois quem ajuda nessa compreensão é o renomado teólogo jesuíta salvadorenho, de origem espanhola, Jon Sobrino, que aceitou conceder a entrevista a seguir para a IHU On-Line, por e-mail, afirmando que para responder a essa pergunta não é necessário nenhum estudo sofisticado, nem de discernimento diante de Deus. Tal perseguição ocorre "ou por má vontade ou por ignorância”, pelo fato de que aquela teologia "foi vista como uma ameaça”.E explica: "certamente, ameaça ao capitalismo, e daí a reação de Rockefeller em 1969 e dos assessores de Reagan, em 1980. E ameaça à segurança nacional, e daí as reações dos generais na década de 1980. Também no interior da Igreja, por ignorância, por medo de perder o poder ou por obstinação de não querer reconhecer a verdade com que se respondiam às críticas”.
Sobrino pensa que, no Concílio Vaticano II, "a Igreja sentiu o impulso de humanizar o mundo e de se humanizar juntamente com ele, sem se envergonhar diante do mundo moderno e de usar o moderno para tornar mais crível o Deus cristão”. E o teólogo acredita que, o que se chamou de Teologia da Libertação, "pode aportar a ambas as coisas: racionalizar a fé em um mundo de injustiça e oferecer uma imagem mais limpa de Deus, não manchada com a imundície das divindades que dão morte aos pobres”.
Jon Sobrino é professor da Universidade Centro-Americana - UCA -, de San Salvador. Doutor em Teologia pela Hochschule Sankt Georgen, em Frankfurt (Alemanha) e diretor da Revista Latinoamericana de Teologia e do informativo Cartas a las Iglesias.
Ele é autor de, entre muitos outros livros, Cristologia a partir da América Latina: esboço a partir do seguimento do Jesus histórico (Petrópolis: Vozes, 1983). Ele estará na Unisinos participando do Congresso Continental de Teologia, com a conferência inaugural do evento, intitulada "Um novo Congresso e um Congresso novo”.
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Para o senhor, qual o significado de celebrar os 50 anos do início do Concílio Vaticano II e os 40 anos da publicação do livro de Gustavo Gutiérrez –Teologia da Libertação? Que perspectivas podem se abrir a partir do Congresso Continental de Teologia?
Jon Sobrino – Naqueles anos, de 1966 a 1974, estive em Frankfurt estudando Teologia. Tive notícias do Concílio, mas parciais. Por Medellín e o livro de Gustavo Gutiérrez, só cheguei a me interessar em 1974, com a minha chegada a El Salvador. Com isso quero dizer que, diferentemente de muitos da minha geração, eu fui um ignorante do que estava acontecendo e obviamente não fui nenhum apaixonado. Depois, tudo mudou. Mais do que acontecimento, penso que foi a realidade salvadorenha dos pobres e os companheiros que se entregavam a eles que me levaram a valorizar os acontecimentos que haviam ocorrido e a ler os textos de bispos e de teólogos que os acompanhavam. Esse esclarecimento talvez ajude a compreender as respostas que vou dar a seguir. Perguntam-me qual é o significado de celebrar, e penso que, se levarmos a sério a pergunta, cada um terá uma resposta própria.
Dos acontecimentos mencionados, eu continuo celebrando que foram rupturas profundas e humanizadoras na história da Igreja. Fizeram-nos respirar. Pensando no Concílio, "o impossível se fez possível”. Pensando em Medellín, Gustavo Gutiérrez e depois em Dom Romero, a Igreja decidiu se voltar ao pobre e a Jesus. E deu "ultimidade” à justiça e à esperança de que fosse possível "que o rico não triunfe sobre o pobre, nem o verdugo sobre a vítima”. Nessa tarefa, assomava-se com clareza o Deus de Jesus. E se eu me centro mais em Medellín do que no Concílio é porque eu o conheço melhor.
Outro cristianismo é possível
Isso produziu alegria e esperança de que, como se diz hoje, não sei se com demasiada facilidade, outra Igreja, outra fé, outro cristianismo "é possível”, e o era porque "era real”. Hoje celebramos o despertar "do sonho de séculos de cruel desumanidade”, como nos pedia Montesinos, a decisão de trabalhar pelos pobres e sua libertação, e a lançar a sorte com eles. Celebramos a difícil conversão e o novo que foi aparecendo: liturgias, catequese, música popular, poesias, nova teologia, a de Gustavo, um compromisso desconhecido e uma luta contra os ídolos. E, sobretudo, a entrega da vida de centenas e milhares de fiéis cristãos. De bispos e sacerdotes. Na vida e na morte se pareceram com Jesus. Os feitos são evidentes. Dom Pedro Casaldáliga escreveu "São Romero da América, pastor e mártir nosso”, embora várias cúrias romanas não sabem o que fazer com esse mártires, tantos e tão numerosos são eles. As normativas às que devem ser fiéis não são pensadas para aceitar o evidente.
Hoje, no continente, mudaram algumas coisas, persistem a pobreza, as estruturas de injustiça e de opressão, e aumenta a crueldade das migrações.
Mudaram mais as coisas na Igreja. De Puebla em diante, deslizou-se por uma ladeira sem que Aparecida tenha impedido isso significativamente. Há coisas boas e inovadoramente boas, mas já não é o de antes. Havia honradez institucional, abundante, ao menos o suficiente, com o real, denúncia vigorosa e analisada contra o horror dos pobres, utopia pela qual trabalhar e lutar, cartas pastorais que lembravam Bartolomé de las Casas e a ciência de Vitória, homilias proféticas de sacerdotes, teologias audazes... Agora isso não fica claro. Fizeram presente um Deus mais latino-americano, pobre, esperançoso, libertador e crucificado. E devolveram ao continente e a suas igrejas um Jesus que esteve sequestrado durante séculos.
Olhar para trás
O que significa, então, celebrar anos depois o Concílio, o livro de Gustavo Gutierrez, Medellín, o martírio de Dom Romero? O que ocorreu foi muito bom e muito humanizador. Hoje, já não abunda. E por isso é preciso olhar para trás, embora as palavras não soem politicamente corretas. Certamente é preciso prosseguir com o novo no pensar teológico: a mulher, os indígenas, as religiões, a irmã terra, a utopia de outros mundos, igrejas, democracias "possíveis”. Mas é preciso ter cuidado para não cair na ameaça de Jeremias: "Abandonaram a mim, fonte de água viva, e cavaram para si poços, poços rachados que não seguram a água” (2, 13). O que mencionamos antes são fontes de água viva até o dia de hoje. E mais o serão se voltarmos a elas ativa e criativamente. É certo, "o Espírito nos move para frente”. Mas tal como estamos, menos se pode esquecer que "o Espírito nos remete a Jesus de Nazaré”, eterna fonte de água viva.
IHU On-Line - O que significa fazer e pensar a Teologia a partir da realidade da América Latina e do Caribe?
Jon Sobrino – A teologia não é o primeiro a ser pensado. O primeiro é a realidade e, no caso da Teologia, a realidade absoluta. Com sua agudeza habitual, Dom Pedro Casaldáliga, ao se referir ao absoluto, diz que "tudo é relativo, menos Deus e a fome”. O absoluto é Deus, e o coabsoluto são os pobres. Fazer teologia é, então, ajudar, a partir do pensar, para que Deus seja mais real na história e que os pobres –a fome– deixem de sê-lo. Para que o pensar possa ajudar nessa tarefa, lembremos o que Ellacuría entendia por inteligir a realidade. Explicava-o em três passos:
- O primeiro é "assumir a realidade”; em palavras simples, captar como são e como estão as coisas. Em 2006, olhando o mundo universo, Casaldáliga escrevia: "Hoje, há mais riqueza na Terra, mas há mais injustiça. Dois milhões e meio de pessoas sobrevivem na Terra com menos de dois euros por dia, e 25 mil pessoas morrem diretamente de fome, segundo a FAO. A desertificação ameaça a vida de 1,2 milhões de pessoas em uma centena de países. Aos emigrantes é negada a fraternidade, o solo abaixo dos pés. Os Estados Unidos constroem um muro de 1,5 mil quilômetros contra a América Latina. E a Europa, ao sul da Espanha, levanta uma cerca contra a África. Tudo o que, além de iníquo, é programado”. O presente não o desmente.
- O segundo passo é "encarregar-se da realidade”. Sua finalidade não consiste simplesmente em fazer crescer conhecimentos por bons e necessários que sejam, mas em fazer crescer a realidade. E em uma direção determinada: a da salvação, da compaixão, da misericórdia e do amor. A teologia é intellectus amoris.
- O terceiro passo é "carregar a realidade”, e com uma realidade que é pesada. Sob ela vivem os anawim da Escritura, os encurvados. A carga que pode fazer até com que privem a vida de alguém. Teólogos e teólogas sofreram perseguição, e alguns acabaram mártires. Isso pode acontecer quando o fazer teologia está perpassado de atitude ética.
Costumamos acrescentar um quarto passo: "deixar-se carregar pela realidade”. O trabalhar e o sofrer assim também podem ser graça para quem faz teologia. Então, o teólogo sabe que faz parte do povo pobre, não é externo a ele. Sabe que é levado por ele e recebe o agradecimento dos pobres. Fazer teologia é, então, "uma pesada carga leve”, como dizia Rahner, que é o Evangelho.
IHU On-Line - Como o senhor analisa a atual conjuntura cultural, socioeconômica e político mundial, a partir do horizonte latino-americano? Nesse contexto, quais os desafios e tarefas que implicam à teologia?
Jon Sobrino – Creio que na atualidade há muitos rostos de Deus na América Latina. Uns emergiram no passado e ali ficaram. Seguem mantendo muita gente com vida e dignidade – embora com a limitação de não animar ao compromisso. Outros coexistem com superstição desumanizante. Hoje proliferam novas Igrejas e movimentos de todo o tipo; em sua maioria, carismáticos e pentecostais, com seus novos rostos de Deus. Pessoalmente, compreendo e às vezes aprecio a bondade das pessoas que os veneram, pois, em parte, deve-se a longas épocas de desamparo eclesial. Mas nemsempre é fácil para mim colocá-los junto ao Jesus de Nazaré do Evangelho. Entre intelectuais e antigos revolucionários existem agnósticos e alguns ateus. São minorias, mas estão aumentando. Creio que, em poucos lugares, surgiu o rosto de um Deus crucificado, de que fala Moltmann, mas não creio que em países como El Salvador e Guatemala seja possível aceitar, a longo prazo, um Deus que não afeta o seu sofrimento, que o próprio Deus sofra em seus filhos e filhas crucificados. Em meio a esses rostos, creio que a novidade maior é a dupla formulação que Puebla fez em 1979. Positivamente, Deus é essencialmente um Deus libertador. Defende e ama os pobres –e nessa ordem– pelo mero fato de serem-no. Seja qual for sua situação pessoal e moral. Dialeticamente, Deus é essencialmente um Deus de vida contra divindades da morte. Puebla analisou isso cuidadosamente e apresentou os ídolos de acordo com uma hierarquia: o ídolo da riqueza, o poder, as armas... Dom Romero, junto com Ignacio Ellacurría, explicou-o admiravelmente para a situação salvadorenha.
IHU On-Line - Qual é o rosto de Deus que emerge da realidade latino-americana? E como a Igreja tem assumido esse rosto?
Jon Sobrino – É preciso perguntar isso a eles, e não tomarmos, nós, o seu lugar. Mas podemos dizer algo. Em Morazán, em meio às atrocidades da guerra dos campesinos, perguntavam ao sacerdote que os acompanhava: "Padre, se Deus é um Deus de vida, como acontece tudo isso conosco?”. É a pergunta de Jó e de Epicuro. Para responder a essa pergunta não me ocorrem conteúdos nem razões, mas sim atitudes. A primeira é lhes falar "com proximidade”. E não qualquer proximidade, mas a de Dom Romero: "Peço ao Senhor durante toda a semana, enquanto vou recolhendo o clamor do povo e a dor de tanto crime, a ignomínia de tanta violência, que me dê a palavra oportuna para consolar, para denunciar, para chamar ao arrependimento”. A segunda é falar "com credibilidade”. E, de novo, não qualquer credibilidade, mas a de Dom Romero: "Eu não quero segurança enquanto não a deem a meu povo”. O bispo não respondia apelando a milagres celestiais, mas sim mostrando em sua própria carne o amor terrenal. O que sentiam em seu coração os campesinos que sofriam e perguntavam, pertence a seu mistério. Aqueles que o viam de fora acreditam que o bispo lhes falou do amor de Deus. E que as suas palavras foram uma boa notícia. Resta aos intelectuais dialogar com Epicuro e Dostoiévski , acolher Paulo e Moltmann. E não é tarefa ociosa. Mas, entre nós, o que mais ressoa é a proximidade e a credibilidade do Monsenhor.
IHU On-Line - Como falar de Deus a partir da realidade de sofrimento que vivem os excluídos, os que estão à margem da sociedade privilegiada?
Jon Sobrino – As teologias não crescem, perduram ou decaem como sistemas formais de pensamento, não contaminadas pelo real. A Teologia da Libertação formulou com rigor e vigor que no Êxodo Deus "libertou os escravos”, que na sinagoga de Nazaré, Jesus "libertou os cativos”. O que, como e quanto disso guiou o pensamento nesses 40 anos é uma coisa a se analisar. Já disse que antes isso ocorreu mais do que agora. Desde já, a Teologia da Libertação não está na moda. Mas não me parece correto responsabilizar disso o que começou com Gustavo Gutiérrez, Juan Luis Segundo, Leonardo Boff, Ignacio Ellacuría e com Dom Helder Camara, Leonidas Proaño, Angelelli e Romero. Às pessoas mencionadas é preciso continuar agradecendo que ao longo desses 40 anos se mantiveram impulsos de teologia libertadora e se estenderam a novos âmbitos, como o do gênero, das religiões, da mãe terra... E aqueles de boa vontade que lamentam a queda da teologia da libertação, que voltem ao Deus do Êxodo e a Jesus de Nazaré. Indubitavelmente, houve limitações, erros, exageros. Pode ter havido reducionismos anti-intelectuais em favor da práxis, preguiça intelectual diante de escritos como os de Juan Luis Segundo ou Ellacuría, vislumbres de demagogia diante do pensamento científico de outros lares, ignorância das críticas ou prepotência diante delas. Mas, pessoalmente, não vejo que tenha surgido outro impulso teológico tão humano, frutífero, evangélico e latino-americano como o que surgiu há 40 anos.
IHU On-Line - Como o senhor analisa esses quarenta anos da Teologia da Libertação? Por que ela foi tão criticada, perseguida, difamada pelos poderes do mundo, inclusive pela hierarquia da Igreja?
Jon Sobrino - Outra coisa é a menor qualidade na produção da teologia da libertação. Não é fácil que se repita a geração dos fundadores, embora tenham surgido novos teólogos e teólogas de qualidade. E não se pode esquecer que algo parecido pode ocorrer hoje em outras escolas, tradições e movimentos de teologia. Os Barth, Rahner, de Lubac, von Balthasar, Bultmann, Käsemann não têm muitos sucessores dessa altura.
A resposta à segunda pergunta não precisa de nenhum estudo sofisticado, nem de discernimento diante de Deus. Ou por má vontade ou por ignorância, aquela teologia foi vista como uma ameaça. Certamente, ameaça ao capitalismo, e daí a reação de Rockefeller em 1969 e dos assessores de Reagan, em 1980. E ameaça à segurança nacional, e daí as reações dos generais na década de 1980. Também no interior da Igreja, por ignorância, por medo de perder o poder ou por obstinação de não querer reconhecer a verdade com que se respondiam às críticas. Lembre-se de Dom López Trujillo e de vários bispos e cardeais. E a instrução da Congregação para a Doutrina da Fé, de 1984, sem que a de 1986 conseguisse consertar totalmente o anterior.
IHU On-Line - Qual o significado teológico e antropológico da expressão "libertação”,a partir do contexto latino-americano? Como essa perspectiva teológica se implica no atual contexto de sociedade e de Igreja?
Jon Sobrino – Se me lembro bem, o conceito de "libertação” foi usado para superar o conceito de "desenvolvimento”, a solução que o mundo ocidental propunha para superar a pobreza. Na Igreja, redescobriu-se que era um termo-chave no Êxodo e em Lucas para expressar salvação. Parece-me importante ter presente que "a libertação”foi redescoberta na América Latina, o chamado terceiro mundo, por ser um continente não só atrasado ou subdesenvolvido, mas também oprimido e escravizado pelo primeiro mundo, europeus e norte-americanos. E em Igrejas, se não oprimidas pelas europeias, fortemente dependentes delas. O termo "libertação” remetia de forma muito importante à opressão e à repressão, isto é, à privação injusta e cruel da vida, o que se mantém até os dias de hoje. Outra coisa é que, felizmente, o conceito foi estendendo seu significado na teologia para designar libertação da indignidade, da opressão de gênero, do despotismo de uma religião... E é preciso ter presente também que a teologia da libertação, diferentemente de outras teologias e ideologias, dá prioridade ao "povo” sobre o "individualismo”, e à "abertura à transcendência” sobre o "positivismo”, como disse Ellacuría em uma reunião de religiões abraâmicas. Em todo caso, embora com o retorno massivo a individualismos espiritualistas, a teologia da libertação introduziu a dimensão religiosa do humano no âmbito do mundo exterior. Ela a tornou presente na realidade social, por direito próprio e sem que possa ser facilmente ignorada. É religião política, afim à de Metz, o que não é um pequeno benefício.
IHU On-Line - Fazendo memória de Dom Oscar Romero, Ignácio Ellacuría e Companheiros, dentre tantos outros rostos que foram assassinados porque assumiram a causa dos empobrecidos e marginalizados, o que significa ser Igreja, hoje, no limiar do século XXI?
Jon Sobrino – Menciono duas sentenças. Ignacio Ellacuría, no funeral celebrado na UCA, disse: "Com Dom Romero, Deus passou por El Salvador”. Ser Igreja é trabalhar com decisão e simplicidade, para que Deus passe por esse mundo desumano. E para o não crente trabalhar para que a solidariedade e a dignidade, o melhor do humano, passe por este mundo, que embora seja mais secular, continua sendo desumano. Dom Romero, na Universidade de Louvain, no dia 2 de fevereiro de 1980, poucos dias antes de ser assassinado, disse: "A glória de Deus é que o pobre viva”.
Ser Igreja é trabalhar pela glória de Deus. E para o não crente "a glória da humanidade é que os pobres vivam, cheguem a formar parte da família humana”.Por isso, é preciso trabalhar. E termino com algo que me faz pensar. Penso que no Concílio a Igreja sentiu o impulso de humanizar o mundo e de se humanizar juntamente com ele, sem se envergonhar diante do mundo moderno e de usar o moderno para tornar mais crível o Deus cristão. A finalidade é magnífica. Em Medellín, a Igreja sentiu o impulso de não se envergonhar dos pobres e de não escutar a repreensão da Escritura: "Por causa de vocês, blasfema-se o nome de Deus entre as nações”. E com humildade se pôs a "limpar o rosto de Deus”.Acredito que o que se chamou de Teologia da Libertação pode aportar a ambas as coisas: racionalizar a fé em um mundo de injustiça e oferecer uma imagem mais limpa de Deus, não manchada com a imundície das divindades que dão morte aos pobres.
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