Unidade Força Feminina em comunhão com a Congregação celebra 150 anos de caminhada Oblata

Iniciando o mês de julho e em comunhão com toda Família Oblata a Unidade Força Feminina neste Tempo de celebrar, bendizer e agradecer realizou uma celebração junto às mulheres atendidas comemorando a caminhada de 150 anos de partilha e história das Irmãs Oblatas.

Fazendo uma memória do caminho desde Madre Antônia e Padre Serra e também das Irmãs e mulheres que já passaram pela Unidade recordou-se o início da Congregação e os primeiros passos dados. Foi feita memória também de tantas Irmãs Oblatas que já passaram pela Unidade assim como mulheres que trilharam esta estrada.

Com o canto “Caminheiro você sabe não existe caminho, passo a passo, pouco a pouco e o caminho se faz” as mulheres e equipe foram agradecendo pelo caminho que cada uma vai trilhando e pelo caminho que a Congregação vem fazendo.


Além de celebrar 150 anos de caminhada da Congregação a Unidade celebrou também o dom da vida de Ir. Ivoni Grando agradecendo pela sua vida e presença nesta caminhada. 


Força Feminina Convida!


Baixe a ficha de inscrição e envie para o e-mail:

comunicapff@hotmail.com

Pacientes com AIDS começam a receber medicamento três em um

Por Luciano Demetrius

O novo tratamento será disponibilizado, primeiramente, aos pacientes do Rio Grande do Sul e do Amazonas, estados com maior incidência da doença
O Ministério da Saúde iniciou a oferta da dose tripla combinada, o chamado três em um, dos medicamentos Tenofovir (300 mg), Lamivudina (300 mg) e Efavirenz (600 mg). Atualmente, esses fármacos são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e consumidos, separadamente, pelos pacientes portadores de HIV e Aids. O novo tratamento será ofertado, em um primeiro momento, para dois estados que possuem as maiores taxas de detecção. A dose fixa combinada será disponibilizada gradativamente aos demais estados do país. 

O principal ganho com o novo medicamento antirretroviral está na redução do número de pacientes que deixam de dar continuidade ao tratamento. Isso porque a disponibilidade das três composições em um único comprimido facilita a ingestão, permitindo boa adesão ao tratamento e durabilidade do esquema terapêutico.
Essa combinação de medicamentos integra o Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e Aids do Ministério da Saúde, publicado em dezembro de 2013, e será disponibilizado como tratamento inicial para os pacientes soropositivos. Considerado um importante avanço, o Brasil passa a garantir o tratamento três em um, a exemplo de países como Estados Unidos, China e África.

Cenário
De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV-Aids, em 2012, o Rio Grande do Sul apresentou a maior taxa de detecção do país, com 41,4 casos por 100 mil habitantes, e o Amazonas 29,2. A taxa de detecção do Brasil é de 20,2 registros da doença.Em dezembro de 2013, o Ministério da Saúde passou a garantir a todos os adultos com testes positivos de HIV, mesmo que não apresentem comprometimento do sistema imunológico, o acesso aos medicamentos antirretrovirais contra a Aids pelo SUS. A medida também integra o novo Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e Aids.
Desde o início da oferta do antirretroviral no SUS, há 17 anos, 313 mil pessoas foram incluídas no tratamento. Com o novo protocolo, o Ministério da Saúde passou a disponibilizar os medicamentos a mais 100 mil pessoas, apenas em 2014. Isso significa um aumento de 32% no número de pacientes vivendo com HIV com acesso ao antirretroviral.
A rede de assistência conta hoje com 518 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), 712 Serviços de Assistência Especializada (SAE) e 724 Unidades de Distribuição de Medicamentos (UDM). Gradualmente, as Unidades Básicas de Saúde estão sendo incorporadas no atendimento aos pacientes vivendo com Aids e HIV.

Agência Saúde
Portal de Notícias do Ministério da Saúde

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude

Artigo: Autoconhecimento: a procura de si mesmo

Fernanda Priscila Alves da Silva


A atualidade nos apresenta diversos problemas que são denominados: infelicidade, incapacidade para tomar uma decisão referente às escolhas que devem ser feitas, desespero generalizado, falta de objetivo na vida e assim por diante. Neste contexto a busca de conhecer a si mesmo torna-se cada vez mais um grande desafio.

De acordo com as reflexões trazidas por Bauman o período atual marcado pela globalização não deve ser analisado apenas sob o ponto de vista econômico, mas também e fundamentalmente sobre seus efeitos na vida cotidiana. Em sua perspectiva, esta sociedade tem tornado incertas e transitórias as identidades sociais, culturais e sexuais. Por isso, a reflexão acerca da identidade, do autoconhecimento, da procura de si mesmo tem sido de grande relevância por um lado e de grande desafio por outro.

Rollo May, um dos maiores psicanalistas do século XX, mostra em suas obras que o problema fundamental do ser humano no fim do século XX, e posteriormente no século XXI é o vazio. Ele expressa que isto não significa apenas que as pessoas ignorem o que querem ou desejam, mas frequentemente não tem ideia do que sentem.

Quando falam sobre autonomia, ou lamentam sua incapacidade para tomar decisão - dificuldades presentes em todas as épocas - torna-se logo evidente que seu verdadeiro problema é não ter uma experiência definida de seus próprios desejos e necessidades. Oscilam desse modo para aqui e para ali, sentindo-se dolorosamente impotentes porque ocas vazias. O que as leva a buscar ajuda talvez seja, por exemplo, o fato de romperem sempre seus relacionamentos amorosos, ou não conseguirem concretizar seus planos.[1]

Em seus estudos May, mostra que a situação mais nítida de uma vida vazia é a das pessoas que habitam os grandes centros urbanos, que se levantam à mesma hora todos os dias, tomam o mesmo ônibus, encontram as mesmas pessoas, executam as mesmas tarefas, almoçam nos mesmos restaurantes, voltam para casa nos mesmos ônibus, ou sejam, levam uma vida rotineira  e mecânica.  A sensação de vazio apresenta muitas vezes a incapacidade para fazer algo de eficaz a respeito da própria vida e do mundo em que vivemos. Erich Fromm observou que neste contexto as pessoas deixaram de viver sob a autoridade da Igreja ou de leis morais, mas se submetem a “autoridades anônimas”, como por exemplo, a opinião pública a mídia de modo geral. Basta que observemos como acompanhamos ou nos deixamos acompanhar, curtir, comentar, compartilhar informações nas redes sociais[2].
No presente contexto outra característica que se apresenta é a solidão. Assim, a sensação de vazio e a solidão andam juntas. Quando por exemplo uma pessoa fala do rompimento de uma relação amorosa raramente fala da tristeza ou da perda, mas sim de um sentimento de vazio, ou seja, a perda parece “deixar um buraco”.

A sensação de isolamento ocorre quando a pessoa se sente vazia e amedrontada, não apenas porque deseja sentir-se protegida da multidão, como um animal selvagem se resguarda vivendo em bandos. A ânsia pela proximidade dos outros não é também um simples desejo de preencher o vácuo interior, embora esta seja, com certeza, uma faceta de necessidade de companheirismo humano de que se sente ansioso. O motivo mais fundamental é que o ser humano adquire sua primeira experiência do self no relacionamento com seus semelhantes e quando está sozinho, desligado de outras pessoas, teme perder esta experiência[3].

Para além do vazio e a solidão outros elementos surgem como desafios no contexto atual sendo eles: a ansiedade, a depressão, o individualismo, a sociedade “fluida” como aponta Bauman, a competitividade, entre outros. Diante desta realidade a construção da identidade ou ainda o reconhecimento da identidade, o processo de autoconhecimento o que pressupõe perguntas relacionadas ao sentido da vida, da existência, da morte ficam cada vez mais fragmentadas. Nos séculos passados, pertencer a uma comunidade ou a um grupo eram elementos que andavam juntos com a questão da identidade, ou seja, o fato de fazer parte de uma determinada comunidade ou grupo mostrava de certa forma quem cada pessoa era. Atualmente, percebe-se que “pertencimento” e “identidade” não tem a solidez que antes tinha e por isso não são garantias de toda uma vida.

Em nossa época liquido moderna, o mundo a nossa volta está repartido em fragmentos mal coordenados, enquanto as nossas existências individuais são fatiadas numa sucessão de episódios fragilmente conectados. Poucos de nós, se é que alguém, são capazes de evitar a passagem por mais de uma “comunidade de ideias e princípios”, sejam genuínas ou supostas, bem integradas ou efêmeras, de modo que maioria tem problemas em resolver a questão da La mêmete (a consciência e continuidade de nossa identidade com o passar do tempo)[4].

Naquele contexto era possível falar em uma sociedade de conhecimento mútuo, ou seja, no seio de uma comunidade ou de uma rede familiar o lugar de cada pessoa era evidente e, portanto impassível de ser questionado. No mundo liquido moderno por outro lado, buscamos, construímos e mantemos as referencias de nossas identidades em movimento, ou seja, em uma luta constante para nos juntarmos aos grupos que também estão em movimentos. As respostas às perguntas sobre a essência da vida, sobre quem somos concretiza-se ou não neste movimento.

A ausência de sentido, o vazio, a solidão tem caracterizado este mundo diante de questões como a vida, o seu sentido, a morte. Distante de tradições milenares ou de leis morais, que eram marcadamente expressão da solidez da sociedade passada o mundo que nos rodeia não nos ensina a vivenciar um processo de autoconhecimento, tampouco de compreender a vida ou a morte. Em uma das conferencias realizadas por Maurice Zundel ele expressa: “O que fazemos da nossa vida? Estamos à procura de nós mesmos, fugimos de nós, reencontramo-nos de forma intermitente e nunca chegamos a fechar o circulo, a definir-nos a nós próprios, a saber quem somos... não temos tempo, a vida passa tão depressa, estamos absorvidos pelas preocupações materiais ou por diversões...”[5]

A busca pelo conhecimento de si mesmo, da identidade não parece ter sido a tarefa e a preocupação de nossos contemporâneos. Entretanto, autores como Jean Yves Leloup e Marie de Hennezel tem suscitado o convite a este movimento. Desse modo, estes autores apontam a reflexão acerca da espiritualidade como elemento importante neste processo de compreensão de temas acerca da vida, da existência e da morte. A espiritualidade, segundo a perspectiva destes autores é entendida como “algo que faz parte de todo o ser que se questiona diante do simples fato de sua existência. Diz respeito à sua relação com os valores que o transcendem, seja qual for o nome que lhe atribua”[6].

Conhecer-se é um processo que começa na infância e se prolonga por toda a vida. Tal processo é vivenciado por cada pessoa de maneira única, assim, o autoconhecimento e a procura de si mesmo são diferentes para cada um e cada uma. Alguns autores mostram que este processo de desenvolvimento apresentam fases que poderíamos denominar como fases ou etapas comuns. Entretanto, a forma como cada pessoa em sua singularidade vai construir, fazer, refazer é única e intransferível.

É possível afirmar que o processo de tornar-se pessoa, de conhecer-se é ao mesmo tempo uma experiência simples e profunda na vida do ser humano. Neste processo, o convite é que o ser humano possa ser sempre mais e por isso a necessidade central da vida se encontra na realização das potencialidades. Assim sendo, quanto se explora as potencialidades das quais cada um é capaz mais se sente a profunda alegria de ser quem se é. A pergunta constante: “Quem sou eu?” caminha ao lado do que significa viver, do que significa compreender o sentido da vida.

A espiritualidade neste processo tem um papel importante, pois ela pode ser “aquele passo a mais” que pode ser dado no processo de autoconhecimento. Segundo Hennezel e Leloup, “dar um passo a mais na aceitação da minha fadiga, na aceitação de meus limites, limites de minha inteligência, de minha incompreensão, diante do sofrimento”, isto significa a busca constante do entendimento de quem somos. No mundo em que vivemos diante do vazio, da solidão, do não pertencimento a uma comunidade especifica; a busca constante em dar este passo a mais, a busca em se conhecer aprofundando o sentido da vida significa a possibilidade de uma vida mais integrada ainda que em um mundo líquido moderno.

Referências bibliográficas
BAUMAN, Zygmunt. Identidade. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2005
HENNEZEL, Marie de; LELOUP, Jean-Yves. A arte de morrer: Tradições religiosas e espiritualidade humanista diante da morte na atualidade. Tradução de Guilherme de Freitas Teixeira. Petrópolis, Vozes, 2012.
MAY, Rollo. O homem a procura de si mesmo. Petrópolis, Vozes, 2012.



[1] MAY, Rollo. O homem a procura de si mesmo. Petrópolis, Vozes, 2012, p. 14.
[2] MAY, 2012, p. 22.
[3] MAY, 2012, p. 24.
[4] BAUMAN, Zygmunt. Identidade. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2005, p. 19.
[5] HENNEZEL, Marie de; LELOUP, Jean-Yves. A arte de morrer: Tradições religiosas e espiritualidade humanista diante da morte na atualidade. Tradução de Guilherme de Freitas Teixeira. Petrópolis, Vozes, 2012, p. 17.
[6] HENNEZEL, Marie de; LELOUP, Jean-Yves, 2012, p. 18. 

Força Feminina no Programa Chão e Paz

No mês de junho a Unidade Força Feminina concedeu uma entrevista ao Programa Chão e Paz, da Arquidiocese de Salvador. O Programa vai ao ar no próximo dia 14/07.

Neste Programa é apresentado a história da Unidade Força Feminina,assim como as ações que vem sendo desenvolvidas, os avanços e os desafios que a realidade apresente. Ir. Pilar concede entrevista e fala da presença Oblata na cidade de Salvador e Fernanda Priscila fala das ações da Unidade e do compromisso com as mulheres em situação de prostituição. Também participa da entrevista uma das mulheres atendidas pela Unidade e fala dos desafios enfrentados no cotidiano.


No ano de 2010, quando a Unidade comemorou 10 anos de presença na cidade de Salvador enquanto sede o Programa já feito uma reportagem e neste ano de 2014, ou seja, quatro anos depois retorna para falar da Unidade e das ações. Este retorno demonstra o compromisso e a credibilidade da Pastoral de Comunicação com o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Unidade Força Feminina.

Tráfico de Pessoas: O ser humano está à venda?


Adital

Conforme recentes estimativas, cerca de trinta milhões de pessoas no mundo são vítimas de tráfico humano. Trata-se de homens, mulheres, crianças e adolescentes submetidos a trabalho forçado, exploração sexual, adoção ilegal, remoção de órgãos ou outra forma de atividade compulsória (por exemplo, mendicância ou matrimônio forçado). Esses seres humanos são tratados como objetos, reduzidos a mera mercadoria ou instrumentos de produção, encobrindo assim sua subjetividade, seus diretos e sua dignidade de ser humano.
O tráfico humano não é uma peculiaridade da época contemporânea. A história do Brasil e da humanidade nos ensina que sempre houve pessoas traficadas ou escravizadas. No entanto, se no passado a legitimação da escravidão estava relacionada com fatores bélicos (prisioneiros de guerra), étnicos, raciais, sexistas ou econômicos (escravos por dívida), na atualidade, após a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) da ONU ("Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, "Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas”), como justificar a comercialização de seres humanos?
A difusão do Tráfico de Pessoas no contexto contemporâneo revela, em primeiro lugar, que os princípios da DUDH ficaram no papel e ainda não foram assimilados pelas sociedades contemporâneas. Muito pelo contrário, a recente globalização de cunho neoliberal, apesar das declarações oficiais sobre direitos humanos, sustenta e promove, de forma direta ou indireta, uma generalizada hegemonia do mercado enquanto critério valorativo e avaliativo do ser humano e de sua dignidade. Nesta perspectiva - como insiste reiteradamente ZygmuntBauman (2008) - a pessoa é avaliada a partir de sua capacidade de consumir ou, de forma mais ampla, de se inserir nas dinâmicas do mercado. Isso traz duas importantes consequências: a dignidade não é algo relacionado com o nascimento, conforme a DUDH, mas é algo a ser alcançado ou aprimorado mediante a inserção nas lógicas do mercado; quem não é consumidor ou produtor, torna-se mera mercadoria ou, então, massa sobrante.
Embora qualquer pessoa possa ser vítima de tráfico para fins de exploração sexual, remoção de órgãos ou trabalho escravo, não há dúvida de que na maioria dos casos as vítimas fazem parte dessa assim chamada "massa sobrante” de pessoas. Trata-se de homens e mulheres que buscam desesperadamente garantir a própria sobrevivência biológica e social e que, por engano ou necessidade, acabam envolvidos em redes de tráfico.
Nesse grupo devemos incluir também milhões de seres humanos que trilham os caminhos da migração como fonte de esperança e emancipação. No entanto, as recentes e generalizadas restrições das políticas imigratórias os obrigam, com frequência, a recorrer ao auxílio de atravessadores que, às vezes, não se limitam a facilitar o ingresso nas terras de destino, mas recrutam os migrantes para redes de tráfico de pessoas. Assim, o sonho da migração se transforma em pesadelo.
Resumindo, na sociedade contemporânea, o tráfico de pessoas se configura como ponta de iceberg de uma realidade social em que as relações humanas são viciadas e manipuladas pela lógica do mercado, sendo a dignidade do ser humano quantificada a partir de seu valor de uso e de troca. A comercialização de seres humanos constitui o caso mais grave de um processo de coisificação (ou reificação) inerente à lógica do capitalismo contemporâneo, que tende fisiologicamente a mercantilizar o sujeito, derrubando, assim, a conhecida distinção kantiana entre "o que tem preço” (as coisas) e "o que tem dignidade” (os seres humanos). No fundo, não se pode estranhar, como sugere Michelle Becka, se "numa sociedade onde a reificação é cotidiana, se favoreçam formas extremas de reificação – como o comércio de mulheres” (2011, p. 83).
Assim sendo, o enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, além dos tradicionais eixos da prevenção, repressão e atendimento às vítimas, deve incluir também: a luta contra todo tipo de coisificação/reificação do ser humano, que nada é mais do que o respeito pelos princípios básicos da DUDH. Tal luta deve abranger qualquer âmbito da vida social e não apenas os casos específicos e mais graves de tráfico de pessoas. Em outros termos, há necessidade de uma "cultura” alternativa à lógica reificante e consumista do capitalismo neoliberal.
Em segundo lugar, levando em conta que a maioria das pessoas traficadas é composta por migrantes ou indivíduos que almejam emigrar, o enfrentamento ao tráfico passa por políticas migratórias menos restritivas, que permitam aos emigrantes evitar o recurso a atravessadores. Fica bastante incongruente a política de determinados países que denunciam publicamente o tráfico de pessoas e, ao mesmo tempo, militarizam as próprias fronteiras.
Finalmente, a luta contra o tráfico é, também, senão principalmente, a luta pela justiça social: as situações de vulnerabilidade social das vítimas acabam sempre facilitando a ação dos recrutadores. Qualquer pessoa em situação desesperada tende a tolerar condições de trabalho indignas ou aceitar propostas arriscadas de emprego. O enfrentamento ao tráfico, portanto, deve ser interpretado e planejado no interior de um compromisso mais amplo por uma sociedade mais justa, participativa, solidária e igualitária. Não há outra opção, a não ser a barbárie.
[Por Roberto Marinucci é membro do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios]

Referências Bibliográficas:
BAUMAN, Zygmunt (2008). Vida para consumo: a transformação de pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.
BECKA, Michelle (2011). Comércio de mulheres e reificação, em: Concilium, n. 341 (2011/3), p. 83.
DIAS, Guilherme Mansur e SPRANDEL, Márcia Anita (2011). Reflexões sobre políticas sobre migrações e tráfico de pessoas no Brasil. In: REMHU, Rev. Interdiscipl. Mobil. Hum., ano XIX, n. 37, jul./dez., p. 59-77.
Roberto Marinucci
Pesquisdor do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios – CSEM

Força Feminina realiza Monitoria em clima de São João



Durante os dias 12 e 13 de junho a Unidade Força Feminina realizou sua monitoria que tem como objetivo ser um espaço de coleta de dados referentes ao Projeto até o presente momento e identificar quando as coisas não estão andando corretamente, assim como se será necessária reconfiguração no Plano de ação.

O espaço foi de extrema importância para a Unidade que fez o levantamento de quais ações vem sendo eficazes e quais devem ser qualificadas para alcançar as metas estabelecidas no início de 2014. Em relação ao Projeto de Abordagem verifica-se um aumento durante os meses de janeiro a abril que foram graduais assim como duas novas áreas de atuação da Unidade, estando entre estas duas à atuação em Feira de Santana que além do assessoramento ao Espaço Viva Mulher que a Unidade já vinha realizando desde o segundo semestre de 2013 agora assume a abordagem social junta a esta realidade. Os gráficos a seguir demonstram o crescente na Abordagem:

Em relação ao Projeto de Acolhida a Unidade termina o semestre com um total geral de 895 atendimentos e um total de 62 mulheres que passam pela Unidade com assiduidade e vem sendo acompanhadas de forma gradativa. O gráfico abaixo representa os dados em relação ao Projeto de Acolhida:

Ainda em relação ao Projeto de Acolhida vale pontuar que a atividade Cantinho da Beleza teve durante o processo um grande resultado sendo um espaço onde as mulheres falam de suas histórias com liberdade, fortalecem a autoestima, crescem no processo de cooperação umas com as outras e no respeito mútuo.
No que tange a especificação Assessoramento e ao Projeto Fortalecimento do protagonismo a Unidade reconheceu que atividades como as Formações precisam ser melhoradas no sentido de fortalecer este espaço, por outro lado os espaços de Rodas de Conversa que tem como objetivo discutir temas referentes a gênero, prostituição e violações dos direitos das mulheres vem crescendo e sendo reconhecido como espaço de partilha das mulheres e fortalecimento de sua cidadania. Outro grupo importante neste projeto é o Grupo Renascer (composto por cinco mulheres da Unidade) e tem como objetivo ser um espaço de protagonismo, articulação e fortalecimento da cidadania. Este espaço conta com a presença das mulheres que se responsabilizam pelo próprio processo, começam se inserir em outros grupos e se articulam no processo de movimentos e lutas sociais.
Estes e outros elementos foram tratados na Monitoria assim como o tema do fortalecimento das parcerias, projeto de Comunicação e Institucional e a partir deste percebe-se a Unidade como referência no que tange ao trabalho junto à mulher em situação de prostituição na cidade de Salvador. O espaço das Cirandas Parceiras (encontro de formação e articulação de Instituições parcerias) foi apontado como elementos novo neste ano de 2014 e como uma ação eficaz no sentido de agregar instituições parceiras e sensibilizar a sociedade sobre a realidade da mulher.

A Unidade termina o momento de monitoria agradecida pelo caminho feito até e confiante na possibilidade de retomar e reconfigurar caminhos que precisam ser reconfigurados. Em clima de São João a Unidade termina o momento no movimento de uma dança que recomeça a partir daqui!!!

Equipe da Unidade Força Feminina participa da Caminhada Coração Azul contra tráfico de pessoas

A Ação ocorreu na manhã deste domingo (08/06/2014) e contou com a presença de Fernanda Priscila, Isadora Muniz, Gladys Amorim, Rosilene Ferreira e Tereza Santana , no Dique do Tororó, em Salvador, promovido pelo  Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Bahia, órgão vinculado à Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), com o objetivo de incentivar a participação da população no combate ao tráfico de pessoas.

O evento é referente à campanha Coração Azul, que tem como bordão ‘Liberdade não se compra. Dignidade não se vende. Denuncie o tráfico de pessoas’.
Durante o percurso percorrido durante o evento, membros do SJCDH explanaram para população os dados alarmantes referentes ao trafico de pessoas, onde constata que de 2000 a 2013 foram registrados 1.758 casos relacionados a tráfico de pessoas. O caso mais recorrente é o de redução de pessoas a condições análogas às de escravidão, com 1.348 casos.
O uso do coração azul, também demonstra o compromisso da organização no combate a esse crime que atenta contra a dignidade humana.