SALVADOR

Técnica de enfermagem é morta dentro de casa; namorado é suspeito

Corpo de Jeiza de Jesus Andrade foi encontrado por uma prima e vizinhos neste domingo em Nova Brasília de Itapuã

A técnica de enfermagem Jeiza de Jesus Andrade, 27 anos, foi encontrada morta dentro de casa no bairro de Nova Brasília de Itapuã, neste domingo (28). Segundo relatos de vizinhos, Jeiza foi vista pela última vez na sexta-feira (26). Ela morava sozinha e seu corpo foi encontrado por familiares por volta das 10h, na Travessa Luiz Viana Filho.
De acordo com informações da Polícia Civil, o suspeito de ter matado a técnica é o namorado, o engenheiro mecatrônico Marco Aurélio da Conceição Machado, 24, e um pedido de prisão preventiva contra ele já foi expedido. Ainda segundo a polícia, a causa da morte foi asfixia e espancamento. Marco, ainda de acordo com a Polícia Civil, foi a última pessoa a ser vista saindo da casa de Jeiza, por volta das 23h, da sexta-feira (26). 
Segundo relato de uma vizinha, o casal participou de uma festa de aniversário na rua em que moravam, sexta-feira, e saíram juntos depois de uma discussão. “Eles sempre discutiam baixo. Marco disse 'eu vou aqui e volto' e eles foram pra casa dela. Cerca de meia hora depois, ele passou sozinho, parou na festa e tomou uma dose de uísque. Minutos depois foi pra casa, pegou o carro e passou em alta velocidade. Depois disso ele sumiu”, afirmou.
Vizinho de Jeiza há três anos, o coordenador de inventário Miguel Borges, 26, contou que a prima da técnica foi procurar por ela ontem porque desconfiou do desaparecimento do casal. Ao chegarem na porta da casa da jovem, a janela estava entreaberta e eles viram que o ventilador estava ligado.


O vizinho e outras duas pessoas arrombaram a porta e encontraram o corpo de Jeiza em cima da cama, com um lençol amarrado no pescoço e com ferimentos nos pulsos. A polícia foi acionada e o corpo foi removido no fim da manhã de domingo.

 Ainda segundo informações de vizinhos, Jeiza foi apresentada a Marco há cerca de um ano e meio, pela prima dela, que mora de aluguel na casa dos familiares do engenheiro. Os vizinhos acreditam que a prima já se mudou do lugar. Um amigo do casal, que preferiu não se identificar, disse que as brigas eram recorrentes porque Jeiza e Marco eram possessivos - ainda segundo o relato, em janeiro Marco chegou a passar meses em São Paulo, após espancar Jeíza, que acabou reatando o namoro pouco depois.
“Foi muito chocante ver aquilo, eu nunca vi um caso desse aqui na rua. Ela era trabalhadora, uma menina tranquila e amiga de todo mundo”, lamentou Miguel. Jeiza trabalhava há quatro anos na Unidade de Pronto Atendimento de Roma, e tinha plantão no sábado (27) - informação confirmada pelas Obras Sociais Irmã Dulce, responsável pela gestão da Upa.
Como não costumava faltar, uma colega de trabalho chegou a ir procurar por ela na rua no mesmo dia, segundo relato de uma vizinha, que não quis se identificar. Ainda de acordo com ela, essa colega teria recebido uma mensagem de texto do celular de Jeiza na madrugada do sábado.
“Uma amiga que trabalha no mesmo lugar que ela, recebeu uma mensagem no celular dela na madrugada de sábado dizendo: 'vou dormir na casa de uma prima, de lá vou para o trabalho', mas não apareceu. Ela veio aqui no sábado para procurar, mas como ninguém atendeu, foi embora”, contou. 
Marco mora a poucos metros da casa de Jeiza. A reportagem do CORREIO foi até o local, mas ninguém da família de Marco quis falar sobre o assunto. O caso está sendo investigado pela 1ª Delegacia de Homicídios, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O corpo de Jeiza foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) para o município de Jequié, na manhã desta segunda-feira (29).

FONTE:  http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/tecnica-de-enfermagem-e-morta-dentro-de-casa-em-itapua-namorado-e-suspeito/?cHash=92976c6f055976165839383506912d09

"A VIOLÊNCIA CONTRA MULHER, ASSUSTA, TRAUMATIZA E MATA!"

Nosso Grito é pelo fim da Violência contra mulher. E o seu?

Desacordada, jovem de 26 anos sofre estupro coletivo após festa no Piauí

Crime aconteceu na cidade de Oeiras. Três suspeitos foram presos pela Polícia Civil
Três homens foram presos pela Polícia Civil do Piauí, no último sábado (27), suspeitos de participarem de um estupro coletivo contra uma jovem de 26 anos. O crime aconteceu na cidade de Oeiras, a 313 km da capital Teresina. Entre os suspeitos está um adolescente de 15 anos. As informações são do G1. 
De acordo com o delegado Antônio Nilton, titular da delegacia de Oeiras, a jovem estava em uma festa com outros rapazes. Bêbada e desacordada, ela chegou a ser carregada para sua casa, onde os abusos aconteceram. 
"Os três suspeitos se ofereceram para levar a garota para a residência dela. Ela estava em um coma alcoólico e se valeram do fato de estar inconsciente para praticarem o crime", disse o delegado ao G1.
Ainda de acordo com o delegado, testemunhas prestaram depoimentos e afirmaram ter visto os rapazes saindo com a garota da festa. AS agressões deixaram a jovem bastante machucada. Ela fez exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML) de Teresina. 
"Após os atos, os suspeitos foram embora e deixaram a jovem desacordada. Ela foi encontrada por vizinhos sobre a cama toda despida e machucada", disse o delegado.
Este é o quinto caso de estupro coletivo no Piauí em pouco mais de um ano. Em junho, a polícia descobriu um crime depois que vídeos começaram a circular nas redes sociais. Nas imagens, pelo menos dois homens aparecem tocando a vagina de uma mulher que está desacordada e não esboça reação. 

Imagens mostram vida dentro de bordel em um dos países mais pobres do mundo


Bangladesh é um dos países mais pobres do mundo. Sua população, de cerca de 157 milhões de pessoas segundo dados do Banco Mundial, vive em condições muito precárias, e uma parte importante dela (mais de 30%) vive abaixo da linha da pobreza. 
Além disso, os salários são miseráveis e as condições de trabalho são semelhantes à escravidão, com jornadas extremamente longas que superam, com folga, as oito horas diárias.
Um dos aspectos mais surpreendentes sobre o país é que a prostituição é completamente legalizada, mesmo com uma população majoritariamente muçulmana (mais de 90%). A fotógrafa Sandra Hoyn viajou a Bangladesh para documentar esta realidade.
Ela visitou o bordel de Kandapara e fotografou suas residentes. Situado na cidade de Tangail, o local abriga mais de 700 profissionais do sexo. Hoyn teve que ganhar a confiança das prostitutas e, com o tempo, conseguiu fotografá-las em um ambiente mais íntimo.
Ela confessa que uma das experiências mais difíceis foi ver uma menina de 15 anos que não queria fazer sexo com um cliente. Ele havia chegado ao bordel com quatro amigos, e todos queriam ter relações sexuais com a menor.
O projeto se chama “The Longing of Others” (“Os Desejos dos Outros,” em tradução livre).
ACESSE: http://www.sandrahoyn.de/galleries/stories/longings-others

FONTE: https://br.noticias.yahoo.com/imagens-mostram-vida-dentro-bordel-135014353.html

Projeto de estudante leva vozes de mulheres assediadas para locais públicos de Salvador

O 'Tô Na Rua, Mas Não Sou Sua', usa o espaço urbano para despertar a reflexão de homens e mulheres sobre o assédio sexual sofrido diariamente

Nojo e medo. No dicionário, nojo é repugnância, náusea, repulsa. Medo é fobia, pavor, terror. É o que mulheres sentem quando você, homem, no meio da rua, se dirige a elas como “gostosa” ou milhares de coisas do tipo. Nojo e medo estão presentes em todos os dez depoimentos gravados por uma estudante de Comunicação em seu trabalho de conclusão de curso. Tem ainda impotência, raiva, tristeza, ódio... 
Larissa Novais, 22 anos, levou para o Campo Grande as vozes de mulheres assediadas nas ruas de Salvador. O projeto Tô Na Rua, Mas Não Sou Sua, usa o espaço urbano para despertar a reflexão de homens e mulheres sobre o assédio sexual sofrido diariamente. Um totem com dois fones de ouvido, colocado no meio da praça, reproduz as vozes das vítimas.
Um tóten com fones de ouvido  colocado no Campo Grande reproduz vozes de vítimas de assédio 
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Os depoimentos são marcantes e não param durante 50 minutos seguidos. “A ideia é que pareçam não ter fim. Como parece não ter fim o assédio que a gente sofre”, diz Larissa. “Senti uma mão passando na minha bunda, era um homem. Ele parou o carro e começou a me chamar. Fiquei com medo de ser raptada. Me sinto um objeto. Dá vontade de voar no pescoço. Gostaria que os homens se colocassem no lugar de suas mães e filhas”, narrou Bruna, um dos nomes fictícios a colaborar com o projeto. As vozes anônimas podem ser ouvidas também no site www.tonarua.com   

O trabalho começou em novembro de 2015. Em busca dos relatos, Larissa fez um formulário e compartilhou no Facebook. Em  uma noite, coletou 167 histórias. “Foi tanta gente que tive de tirar do ar. Li  todos”.  Separou dez e procurou as vítimas para gravar os relatos. “Toparam na hora”.
O resultado nas ruas é surpreendente. Jorge Silva, um dos que pararam para ouvir os depoimentos, enxergava o assédio como algo natural. Enxergava. “Nunca parei para refletir sobre isso, sobre o que as mulheres acham disso”, disse. “É uma cultura enraizada. Os homens têm que entender que a mulher ali está se sentindo oprimida”, diz o estudante João Pedro Silva, 23 anos, que admitiu já ter soltado uma “cantada” na rua. 

Larissa Novais idealizou o projeto Tô Na Rua, Mas Não Sou Sua (Foto: Marina Silva/CORREIO)

“A gente é quase obrigado a fazer isso. Você é impelido pelos seus amigos. Me arrependo”, acredita João Pedro. As mulheres também pararam para escutar as vozes antes silenciadas. Ao ouvir os relatos, muitas contaram os próprios assédios sofridos. “O namorado de uma amiga entrou nu no quarto em que eu dormia e ficou me olhando dormir. Acordei, fiquei paralisada e comecei a chorar”, contou a estudante Maíra Dumas, 22 anos.  
Feminista, Larissa diz que uma de suas inspirações foi justamente a série de reportagens Silêncio das Inocentes,  que o CORREIO publicou em dezembro do ano passado. O trabalho revelou histórias de mulheres estupradas e fez um mapa do estupro em Salvador.
No site da série, vozes de relatos de vítimas eram ouvidas incessantemente.  "Não só me inspirei como usei como referencial teórico",  afirma Larissa. O Silêncio das Inocentes conquistou o INMA Global Media Awards, o Oscar da mídia mundial.

DADOS SOBRE A PROSTITUIÇÃO FEMININA


A prostituição é conhecida como a profissão mais antiga do mundo, mas até hoje é um tema polêmico por permear pontos como os valores morais das sociedades orientais e ocidentais, a questão do corpo como mercadoria e também das escolhas das mulheres.

Há a prostituição masculina, mas a feminina continua sendo a mais comum no mundo todo. Segundo a fundação francesa Scelles, mais de 40 milhões de pessoas se prostituem no mundo. Dessas, 75% são mulheres entre 13 e 25 anos. Segundo essa pesquisa, eventos esportivos como as Olimpíadas e a Copa do Mundo são bastante visados para esse tipo de mercado: tanto para procura quanto para oferta.
Muitas mulheres brasileiras estão indo para países europeus para trabalhar como prostitutas e buscar melhores condições de vida. Segundo uma dissertação publicada pela UNIEURO, 44% das prostitutas brasileiras que trabalham em Portugal entraram pela Espanha, pois o país era menos rígido em relação à questão imigratória.
Ainda sobre a dissertação, 536 prostitutas brasileiras foram entrevistadas, e apenas 4% delas disseram estar nessa profissão porque foram aliciadas. Ou seja: a grande maioria trabalha para se sustentar e juntar dinheiro, e não por fatores como tráfico de pessoas ou extrema necessidade. 75% delas disseram, ainda, não sentir vontade de voltar imediatamente para o Brasil – ganham cerca de 5.000 euros por mês. 78% delas dizem que têm como objetivo juntar uma grande quantidade de dinheiro e voltar posteriormente para o Brasil – a maior parte delas vêm de Minas Gerais e Goiás.
Segundo um estudo feito pelo Fixr sobre as buscas mais realizadas no Google ao redor do mundo com o tema “quanto custa…”, o termo mais procurado no Brasil foi “quanto custa uma prostituta?”.



ACESSE O LINK:http://correionago.com.br/portal/lanterna-dos-afogados-genocidio-e-feminicidio-negro/


Entendendo os fetiches masculinos
Por Cris Santana


Recentemente foi transmitida em rede nacional uma mini série denominada “Felizes para sempre?”. Bom, eu não assisti a série toda porque não achei nada interessante, ainda mais se tratando de Rede Globo, porém, dediquei um dia da minha vida para assistir o último capítulo desta série, que inicialmente levantou muitos comentários na internet referindo-se a bunda da atriz Paola Oliveira. Num grupo sobre feminismo, do qual participo, alguém levantou a questão, que levou uma colega, Consuelo Neves, a fazer uma análise critica em um comentário bem interessante se referindo ao assunto: “É o machismo escancarado de sempre. As panicats estão aí com as bundas quase entrando nas casas dos telespectadores, mas a bunda da Paola é uma bunda de família, de respeito, logo, a exposição dela é algo inimaginável.”Eventos fakes foram criados, como o “Agachamento coletivo para ficar com a bunda da Paola Oliveira”, levando muitas mulheres a “confirmarem presença” na ilusão de realizar o sonho dopopozão perfeito!
Essa linha de pensamento comum, ainda que sendo apenas uma brincadeira, mostra quanto o corpo da mulher ainda é estereotipado na TV e dentro de casa. Quando uma mulher chega ao ponto de confirmar presença num evento ainda que fake, pra ter uma bunda como as que a TV mostram, elas confirmam que infelizmente, ainda temos muito o que avançar no quesito desconstrução de estereotipo e aceitação do próprio corpo.
Mas, o mais interessante nessa história toda em que a série esteve sendo transmitida, é que os conservadores da família não criticaram tanto a série, como aconteceu quando rolou o suposto primeiro beijo gay. Digo suposto, porque fez-se muito alarde sobre o beijo que poderia acontecer e que no fim, não foi nada além de um selinho. Mas que ainda assim, gerou muitas criticas. E você pode me dizer: Mas o beijo gay foi na novela das nove, Cris! E eu respondo com uma pergunta: Ué, mas tem horário certo para os conservadores, serem conservadores? Claro que não, minha gente! Não vimos tantas criticas á mini série global citada acima, pois se tratava de duas mulheres muito famosas, muito bonitas e que obviamente provocam o imaginário masculino. Estamos falando de uma relação entre duas mulheres, Maria Fernanda Cândido e Paola Oliveira, em cenas de sexo super quentes, mulheres nuas e closes em bundas perfeitas, seios e etc!
De repente o telespectador do cine prive, não precisaria mais esperar até as três ou quatro da manhã, pra assistir filmes envolvendo duas mulheres, porque agora a Globo esta mostrando e elas até então são vistas como “as mulheres dos sonhos” numa sociedade machista, então, o quê que têm né?  [Plaquinha da ironia]
O que precisamos questionar dentro de nossas cabeças é, porque um beijo entre dois homens causa tanto discurso de ódio, tanta homofobia em forma de opinião e um beijo entre duas mulheres não? Eu fico aqui imaginando quantos caras vão à casas de swing e levam suas namoradas ou esposas e fazem os Voyeur enquanto elas beijam outras mulheres, mas não outros homens, porque na realidade isso é mais um alimento de fetiches e ego, que opção sexual, deles obviamente.
Então, o querido que se encaixa nesse perfil, acredite se quiser, é um machista de carteirinha. A fetichização das relações entre mulheres, do corpo da mulher, a forma como a sociedade silenciou seu próprio ódio enquanto a série esteve no ar, só porque as figuras em questão desta vez eram duas mulheres “de família”, é uma amostra grátis da ignorância que uma emissora de TV é capaz de fazer com seus telespectadores, a menos que, os conservadores da família, já estivessem dormindo. [Ironia]

Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

Listas de “gostosas”, “mulheres de” que ganham medalhas ou belezas loiras de olhos azuis”

Reunimos os casos mais flagrantes de sexismo na cobertura da competição.


Títulos mais machistas Olimpiadas Rio“Dá gosto de ver” ou “traga ou não medalha, ficaremos orgulhosos dela”, alguns dos comentários sobre a atleta de salto com vara Allison Stokke. INSTAGRAM @ALLISONSTOKKE
Simone Biles é a grande sensação da ginástica nestes Jogos Olímpicos. A nadadora Katinka Hosszu bateu o recorde mundial dos 400 metros e está cheia de ouros, e a norte-americana Katie Ledecky arrasou na piscina, conseguindo o primeiro lugar — e fazendo história — nos 400m livres. Apesar de nos Jogos Olímpicos de 2016quase 50% dos esportistas serem mulheres (45%, para sermos exatos) e dos impressionantes feitos esportivos que estão conseguindo, muitos meios de comunicação se negam a reconhecê-las como algo mais que um pedaço de carne. É o que afirma um estudo daUniversidade de Cambridge que acaba de ser publicado e que afirma que a mídia trata de forma diferente a informação esportiva se (oh, que surpresa!) o protagonista é homem ou mulher. É a conclusão a que chegaram depois de analisar 160 milhões de palavras em jornais, blogs e redes sociais. Os homens recebem três vezes mais espaço e tempo na informação esportiva do que as mulheres, e pior de tudo, as palavras mais usadas com elas são “idade”, “grávida” ou “solteira”, enquanto “rápido”, “forte” e “fantástico” são os adjetivos mais usados quando se fala deles. Esses dados não fazem mais do que certificar o machismo que ainda está presente no âmbito esportivo e que ultimamente está sendo especialmente palpável no tratamento da informação dos Jogos Olímpicos do Rio. É só dar um giro pela Internet para encontrar vários exemplos flagrantes de discriminação e sexismo:

Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio“Será que Allison é a atleta mais bonita do mundo?” Com esta frase começa um ‘artigo’ do site Marca Buzz cujo único objetivo é coisificar a saltadora Allison Stokke. Sem citar em nenhum momento suas conquistas esportivas, o post se limita a inserir fotos da atleta treinando, retiradas de seu Instagram e acrescentando comentários como: “Sem dúvida está em forma”, “O salto com vara espera por você... e por meio mundo” ou “traga ou não medalha, ficaremos orgulhosos dela”. Outros tantos artigos circulam na rede limitando-se a analisar seu físico. Até sua página na Wikipedia dá mais protagonismo a sua fama na Internet como “ícone sexual” do que em analisar sua trajetória esportiva.– Allison Stokke, a atleta que vai prender você no salto com vara no Rio 2016 – Marca Buzz
Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio
- A “mulher de” que ganhou o bronze – Chicago Tribune
“A mulher de um jogador dos Bears ganhou hoje uma medalha de bronze na Olimpíada do Rio”, tuitou o Chicago Tribune depois que a atiradora norte-americana Corey Cogdell ficou com o terceiro lugar na categoria de tiro ao prato. Nem esse mérito nem o fato de ter ficado com a mesma medalha nos Jogos de Pequim pareceram suficientes para o jornal para mudar de ideia de apresentá-la como “a mulher de” nas redes sociais. Apesar de o texto escrito pelo jornalista Tim Bannon incluir o nome da esportista no título, abreviou as conquistas anteriores de Cogdell e preferiu destacar que é casada com o jogador de futebol americano do Chicago Bears Mitch Unrein. Os leitores não demoraram para reclamar nas redes sociais, propondo títulos alternativos e denunciando que “seu nome não é ‘esposa de um jogador dos Bears’. Seu nome é Corey Cogdell. Abaixo os títulos sexistas”.
Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio
- A goleira “sem complexos” que pesa 98 quilos e come hambúrgueres? – Marca
O jornal esportivo Marca registrava a surpresa dos fãs diante da “destreza” da goleira do time de feminino de handebol de Angola, Teresa Almeida, apesar de seu “sobrepeso”. “Teve cerca de 34% de acertos, mas o que realmente cativou o pessoal foi sua flexibilidade com o corpo que tem”, diz um artigo totalmente focado no físico da esportista. Por mais que a própria Almeida fale com a publicação sobre seu corpo e dê várias declarações sobre como se sente sendo a “goleira da gordura”, o que verdadeiramente indignou o Twitter foi a forma como o jornal vendeu a notícia nas redes sociais. Os ícones que acompanham o título (a saber: hambúrgueres, batatas fritas e um gato morrendo de rir) só aumentaram a polêmica. O tuíte da discórdia foi apagado.
Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio
- Hosszu, a nadadora que bateu o recorde mundial “graças a seu marido” – NBC
No sábado passado, a nadadora húngara Katinka Hosszu quebrou o recorde mundial nos 400 metros, um feito que conseguiu “graças a seu marido”, segundo alfinetou ao vivo Dan Hicks, comentarista da rede de TVNBC. “Ele é a pessoa responsável por este triunfo. É preciso notar como mudou a motivação dela desde que começou a ser treinada por ele. É medo ou confiança o que a está ajudando neste processo?”, comentou o jornalista. Parece que Hicks esqueceu que a nadadora já foi campeã da Europa em 2010 (para citar apenas um dos títulos que ostenta), dois anos antes que seu atual marido começasse a treiná-la e três anos antes de se casar com ele.
Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio
– De "gostosas internacionais" a "atletas olimpicamente atraentes" –El Mundo
A manchete que apresentava as “gostosas internacionais nos Jogos Olímpicos do Rio” foi uma das mais polêmicas. Depois de incendiar as redes sociais, o jornal El Mundo decidiu mudar o título da galeria de fotos para “a lista de atletas olimpicamente atraentes”. O jornal considerou o problema resolvido mantendo na chamada um interessante aviso aGisele Bündchen: “Que a modelo não se acomode porque esta Olímpiada vem com um forte sex appeal”. As reclamações devido à continuidade do foco sobre o físico das atletas se repetiram no Twitter: “O [termo] ‘gostosas’ incomodou... Melhor colocar ‘olimpicamente atraentes’. + Ideaca, por isso que você é chefe!”, escreveu o usuário. Outros tuiteiros comentaram que o jornal também havia publicado o mesmo ranking na versão masculina (primeiro, também sob o título “gostosões” e, depois, com “atletas olimpicamente atraentes”).
A Associação para Mulheres no Esportes Profissional (AMDP, na sigla em espanhol) demonstrou sua “raiva” escrevendo uma carta aberta ao jornal com o título Não são gostosas, são atletas e exigiu um “pedido público de desculpas para o tratamento discriminatório, machista, sexista do artigo”, também compilando outros “comentários sexistas” contidos na publicação.
Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio
– Uma foto de Mireia (muito) infeliz — Marca
Com o título Os sete dias de Mireia, o jornal esportivo Marca publicou uma foto em que... bem, muitos não demoraram em identificar e denunciar o conteúdo sexual e machista. Os usuários do Twitter perguntaram ao jornal se não havia uma foto melhor para ilustrar a notícia e o diretor da publicação, J. I. Gallardo, disse em um tuíte, que depois foi apagado, que "excitado é o que vê nessa imagem algo mais do que dois nadadores". Agora, o artigo mostra outra foto.
Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio
– Katie Ledecky é muito boa porque "nada como um homem" (nossa!) – Ryan Lochte
Katie Ledecky conseguiu o ouro batendo o recorde mundial nos 400m livres. Esta jovem, que já havia ganhado um ouro olímpico aos 15 anos, tem nove títulos mundiais e bateu 12 recordes mundiais com menos de 20 anos, deve todo seu sucesso ao fato de nadar “como um homem”. Pelo menos, assim afirmou o também nadador Ryan Lochte, destacando que isso é o que a diferencia das outras. “Nada como um homem. Sua braçada, sua mentalidade, sua força... não vi isso em nenhuma outra garota.” Sem comentários.
Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio
– “As bonecas suecas” – Olé
O jornal argentino Olé apresentou as atletas escandinavas como “as bonecas suecas”. Um “grupo de loiras e de olhos claros que chama a atenção de todos na Vila Olímpica”. Além do título, o conteúdo do artigo cobria o jornal de glória: “Loiríssimas, olhos claros por todos os lados e figuras estilizadas fizeram com que os presentes se virassem para vê-las. Isso não significa que outros países, como o nosso, não tenham suas belezas. Mas as bonecas suecas captam a atenção dos olhos humanos”. Quem se importa como elas competem? Para que divulgar uma notícia que analise suas habilidades esportivas se é possível resolver a coisa com um par de fotos e dois comentários sobre a cor do cabelo?
Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio
– Atletas que, além de bonitas, são atletas — Vários
Vários meios de comunicação latino-americanos apresentaram a jogadora de vôlei Winifer Fernández como uma mulher que “não é apenas bonita, mas também muito boa jogadora” (como pode uma atleta profissional ser boa no que faz?). Embora Fernández tenha ficado de fora dos Jogos Olímpicos do Rio, esta e outras manchetes machistas percorreram vários veículos dias antes dos Jogos. Basta colocar seu nome no Google para comprovar que muitas publicações lamentam "não poder ver seu físico desfilar no Rio”, enquanto a apresentam como “a dominicana sexy” ou “a bomba do vôlei que esquenta as redes” sem esquecer de avisar seus leitores: “Cuidado, você pode se apaixonar!”.

Violência contra a mulher cresce nas classes mais altas

Por Luana Almeida
Delegada Heleneci: Deam já recebeu 3.112 casos este ano
"Violência doméstica é uma daquelas coisas que a gente acha que só acontece na casa do vizinho". Há dez anos, quando a Lei Maria da Penha foi criada, a empresária *Paula, 31, autora da frase acima, era apenas uma jovem. Por acreditar ser algo distante da realidade dela, nem imaginava que precisaria, um dia, recorrer à norma para escapar de um relacionamento abusivo.
Este ano, ela venceu o medo e o preconceito e se viu adentrando, pela primeira vez, em uma delegacia de polícia. Por causa de agressões físicas e verbais sofridas durante os quatro anos de casamento, Paula prestou uma queixa contra o ex-marido. Hoje, ele está proibido de chegar, a pelo menos, 250 metros de distância dela.
Formada em administração e pós-graduada em marketing, a empresária tinha casa própria e uma vida confortável antes mesmo do casamento. A separação não mudou a condição de vida dela, mas deixou marcas físicas e psicológicas.
O registro feito por Paula integra um novo perfil de denúncias que vem se formando ao longo dos 10 anos da lei: elas partem de mulheres oriundas de famílias de classe média alta, bem sucedidas profissionalmente e que, por isso, não dependem financeiramente do ex-marido.
Titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Brotas, Heleneci Nascimento observou, nos últimos anos, o crescimento de registros que partem de mulheres "independentes". Segundo a delegada, este ano, a unidade já recebeu 3.112 registros de violência doméstica, que vão desde agressão verbal a estupro. Pelo menos 30% das queixas procedem desse perfil de vítima.
"Antes, elas escondiam as agressões sofridas pelos companheiros durante anos, por medo de atitudes machistas da família. Hoje, muitas delas se sentem mais encorajadas para enfrentar a família e a sociedade, pois entendem a importância de obter o amparo legal para fugir da violência doméstica", explicou.
Apesar das conquistas obtidas com a lei, o número de mulheres mortas em casos de violência doméstica registrados nas 15 Deams do estado cresceu 26,09% na comparação do primeiro semestre deste ano com o mesmo período do ano passado. Subiu de 23 para 29 casos (ver mais abaixo).
Mulheres negras
Para a pesquisadora Márcia Tavares, do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim), da Universidade Federal da Bahia (Ufba), os registros da Deam comprovam uma triste realidade: que a violência doméstica contra a mulher não escolhe cor ou classe social. "Qualquer uma de nós está passível de sofrer esse tipo de violência", disse.
Segundo ela, no entanto, as mulheres negras, as que desempenham atividades precarizadas e que dependem financeiramente dos companheiros ainda são maioria entre as violentadas. De acordo com o Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais, o número de mulheres negras mortas cresceu 54% em 10 anos (de 2003 a 2013).
No total, 55,3% dos crimes contra mulheres foram cometidos no ambiente doméstico e, em 33,2% dos casos, os homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.
Denúncias
Em 2006, ano em que a Lei Maria da Penha entrou em vigor, 328 queixas realizadas na Deam de Brotas se tornaram inquérito policial. Hoje, há 1.532 em tramitação. Há 10 anos, foram expedidas 122 medidas protetivas a mulheres violentadas em ambiente doméstico que denunciaram as agressões naquela delegacia. Em 2015, foram 572. No primeiro semestre deste ano, esse número já chega a 310.
Conforme a titular da delegacia, o crescimento dos números aponta para uma maior confiança da vítima em relação à resolubilidade da lei. "O crescimento do número de denúncias não significa, simplesmente, que o número de mulheres violentadas aumentou. O que percebo é que elas estão mais informadas sobre a lei. Em 10 anos, vejo que há um maior empenho para fazer a lei acontecer e isso tem dado um conforto a elas", disse Heleneci.